
Uma análise global reuniu milhares de registros e revelou que cerca de uma em cada dez espécies conhecidas de borboletas já apresentou mudança em sua área de distribuição. Temperatura, chuva e perda de habitat estão entre os fatores que empurram essas espécies para novos locais.
Nem todas seguem apenas para lugares mais frios
Os pesquisadores analisaram mais de 6.180 relatos, provenientes de 565 estudos e avaliações de especialistas. As mudanças podem ocorrer para norte ou sul, entre regiões e também ao longo das encostas das montanhas.
O movimento não depende somente da temperatura. Lagartas precisam encontrar plantas hospedeiras, enquanto borboletas adultas dependem de néctar, abrigo e locais seguros para reprodução.
O Brasil aparece entre os exemplos
O estudo cita a borboleta Godartiana byses, cuja distribuição se expandiu do Rio de Janeiro e da Bahia para São Paulo, em uma mudança associada ao aquecimento do clima. Os autores alertam que ainda faltam registros em muitas regiões do planeta.
A viagem depende das plantas
Uma borboleta adulta pode atravessar uma região nova, mas isso não significa que conseguirá estabelecer uma população. Cada espécie precisa encontrar condições adequadas para completar todo o ciclo de vida. As fêmeas procuram plantas específicas para colocar ovos, e muitas lagartas aceitam apenas uma pequena variedade de hospedeiras.
Se a planta não acompanha a mudança climática na mesma velocidade, a borboleta pode chegar primeiro e não conseguir se reproduzir. Também podem surgir desencontros no calendário: flores abrem em uma época diferente, enquanto os adultos emergem quando há menos néctar disponível.
Mover-se não significa estar protegida
Algumas espécies ampliam sua distribuição, enquanto outras perdem território mais rapidamente do que conseguem avançar. Estradas, cidades e áreas agrícolas contínuas podem interromper o caminho entre fragmentos de vegetação. Borboletas com voo limitado enfrentam obstáculos maiores do que espécies capazes de percorrer longas distâncias.
Por isso, uma expansão observada no mapa não deve ser interpretada automaticamente como sinal de prosperidade. A nova área pode ser pequena, instável ou desconectada da população original. Ao mesmo tempo, regiões abandonadas podem perder interações ecológicas importantes, como polinização e relações com plantas hospedeiras.
Como acompanhar essas mudanças
Registros fotográficos, coleções científicas e programas de ciência cidadã ajudam a comparar a presença das espécies ao longo dos anos. Corredores de vegetação, jardins com plantas nativas e proteção de diferentes faixas de altitude podem oferecer rotas e refúgios. O desafio é conservar não apenas a borboleta adulta, mas toda a rede de recursos necessária para sua sobrevivência.
Fonte: estudo global divulgado em 5 de agosto de 2026. Consultar a pesquisa.
