Herbicida muito usado pode alterar o cérebro das abelhas

Abelha sobre uma flor
Foto: Ali Goode/Pexels

Um estudo divulgado pela Virginia Tech acendeu um alerta sobre o glifosato, um dos herbicidas mais utilizados no mundo. Embora as abelhas não possuam a enzima que o produto ataca nas plantas, a exposição pode afetar seu comportamento.

Menos viagens em busca de alimento

No experimento, abelhas expostas ao glifosato reduziram em 13% a atividade de coleta depois de apenas três dias. Os pesquisadores também identificaram alterações em substâncias químicas do cérebro relacionadas ao comportamento.

Uma queda aparentemente pequena pode se tornar importante quando ocorre em toda a colônia. Menos viagens significam menor entrada de alimento, possível redução da produção de mel e menor eficiência na polinização.

O efeito não precisa ser fatal para causar prejuízo

O trabalho chama atenção para efeitos subletais: a abelha não morre imediatamente, mas pode deixar de executar normalmente tarefas essenciais. Os autores defendem novas pesquisas em condições reais e maior cuidado na aplicação de herbicidas perto de áreas visitadas por polinizadores.

Por que uma mudança de comportamento importa tanto

Uma colônia depende da divisão de tarefas. Enquanto algumas operárias cuidam das larvas e mantêm o ninho, outras saem repetidamente para localizar néctar, pólen e água. Quando parte dessas coletoras reduz o número de viagens, o efeito pode se espalhar para toda a comunidade, porque os recursos obtidos no exterior alimentam tanto as abelhas adultas quanto a nova geração.

O impacto também pode ultrapassar a colmeia. Muitas plantas silvestres e agrícolas dependem das visitas de insetos para transportar pólen entre flores. Por isso, pesquisadores passaram a observar não apenas a mortalidade causada por produtos químicos, mas também alterações de memória, orientação, aprendizado e disposição para buscar alimento.

O que ainda precisa ser confirmado

Experimentos controlados permitem identificar mecanismos que seriam difíceis de perceber no campo, mas não reproduzem toda a complexidade de uma paisagem agrícola. A dose recebida, o tempo de exposição, a disponibilidade de flores e a presença simultânea de outros produtos podem modificar o resultado.

Isso significa que o estudo não prova que toda aplicação de glifosato produzirá exatamente o mesmo efeito em qualquer colônia. Ele mostra, porém, que avaliações de segurança precisam considerar comportamentos essenciais e exposições repetidas. Medidas como evitar pulverização durante a floração, reduzir deriva e preservar faixas de vegetação podem diminuir o contato de polinizadores com produtos agrícolas.

Fonte: Virginia Tech e Journal of Experimental Biology, divulgação de 6 de agosto de 2026. Consultar a pesquisa.