Luzes âmbar podem tornar as noites mais seguras para os insetos

Luz âmbar de poste próxima às árvores durante a noite
Foto: Vladimir Srajber/Pexels

Trocar a cor da iluminação pública pode reduzir consideravelmente a atração de insetos durante a noite. Um experimento realizado em estações ferroviárias alemãs mostrou que lâmpadas LED âmbar de 1.800 K atraíram menos animais que LEDs brancos e lâmpadas de sódio.

A diferença foi expressiva

As luzes âmbar reduziram o número total de insetos atraídos em aproximadamente 39% a 51%. A biomassa capturada também caiu entre 51% e 77% durante o estudo, conduzido em seis estações rurais.

Mariposas, moscas e besouros podem passar horas circulando lâmpadas artificiais. Além do gasto de energia, a desorientação interfere na alimentação, no acasalamento e no deslocamento natural.

A escuridão ainda é a melhor opção

Os próprios pesquisadores ressaltam que a luz âmbar não elimina o impacto: qualquer iluminação atraiu mais artrópodes do que os pontos mantidos sem luz. Mesmo assim, as seis estações testadas adotaram os LEDs de 1.800 K depois do experimento.

Por que a cor da luz faz diferença

A visão dos insetos não é igual à humana. Muitas espécies percebem com grande eficiência comprimentos de onda próximos do ultravioleta e do azul. Lâmpadas brancas, sobretudo as mais frias, emitem uma parcela maior dessas faixas e podem ser vistas a grandes distâncias.

A luz âmbar concentra a emissão em comprimentos de onda mais longos. Isso tende a torná-la menos atraente para diversos grupos, embora a resposta varie entre espécies. O experimento alemão é importante justamente porque comparou tecnologias em situações reais, durante noites sucessivas e em locais onde a iluminação era necessária.

O problema vai além de insetos voando ao redor da lâmpada

Animais presos no chamado voo de atração podem morrer por exaustão, ficar mais expostos a predadores ou abandonar atividades fundamentais. A iluminação noturna também modifica o comportamento de aranhas, morcegos e outros organismos que aproveitam a concentração artificial de presas.

Quando esse efeito se repete todas as noites, a paisagem passa a ter corredores luminosos que dificultam o deslocamento de espécies sensíveis. Por isso, pesquisadores tratam a iluminação artificial como uma forma de alteração ambiental, especialmente perto de matas, rios e áreas protegidas.

Uma iluminação melhor combina várias medidas

Trocar o espectro é apenas uma parte da solução. Luminárias direcionadas para o chão evitam que a luz se espalhe para o céu e para a vegetação. Reduzir a intensidade, utilizar sensores de presença e apagar pontos desnecessários durante horários de baixo movimento também diminuem o impacto.

O objetivo não é deixar áreas movimentadas sem segurança, mas iluminar somente onde, quando e na intensidade realmente necessários. A combinação dessas medidas costuma ser mais eficiente do que apenas substituir uma lâmpada branca por outra de cor diferente.

Fonte: Biological Conservation, divulgação de 2 de agosto de 2026. Consultar a pesquisa.